Se vale a pena ou não morar na Itália é uma pergunta considerada fácil de ser respondida, mesmo quando se leva em consideração a realidade atual do continente europeu, às voltas com um drama de dimensões política, econômica e social.

A maioria absoluta dos que já tiveram essa experiência afirma que sim, ainda vale a pena morar num país que consegue, vez ou outra, figurar entre os dez melhores em qualidade de vida e um dos 25 mais desenvolvidos do mundo. A terra de Leonardo da Vinci, Modigliani, Ticiano, Michelangelo, Bramante, Rafael, Fellini, Dante, entre outros monumentos das artes de todos os tempos, é considerada o berço do Renascimento, e tem na região da Toscana o seu principal representante; bastante famosa também pela culinária e pelos vinhos — entre os melhores do mundo. O berço da Renascença é hoje um dos 10 países com maior qualidade de vida do mundo.[/caption] Com cerca de 60 milhões de habitantes, em uma área com pouco mais de 300.000 km², a Itália é um país essencialmente católico (e não poderia ser diferente, já que é o berço da religião romana), com mais de 80% da população admitindo professar essa fé.

O seu clima é o mediterrâneo, bastante quente e seco no verão, e nem um pouco rigoroso no inverno, graças a uma posição privilegiada, como uma península que se debruça sobre os mares Tirreno, Lígure, Jônico e Adriático. Um dos segredos para morar na Itália é definir, com antecedência, qual o seu objetivo de vida, pois, apesar de não ser um país tão grande como o Brasil, possui diferenças bastante significativas entre as suas regiões.

As cidades mais ao norte, como Milão, Roma, Veneza, Turim, Bolonha, Parma, Gênova, Florença, entre outras, são as mais procuradas por quem busca agito, trabalho e uma melhor infraestrutura. Já as menores, como Belluno, Trento, Macerata, Bolzano, entre outras, são consideradas ideais para quem procura uma vida mais tranquila e ecologicamente correta.

Enfim, um país que, apesar das suas contradições, ainda é considerado um dos que mais respeitam a diversidade no mundo, possui um dos menores custos de vida da Europa, além de um clima que, por si só, já é motivo suficiente para ser, há décadas, um dos destinos preferidos dos brasileiros.

Quais as grandes vantagens de morar na Itália?

“O ar de Florença é feminino, eleva à espiritualidade sutil”. “Ama-se Veneza como uma mulher bela, voluptuosa e irreal”. “Como se fosse o universo, Roma faz do cosmopolitismo a expressão sedutora da vida”. Essas impressões eram as do intelectual e diplomata Graça Aranha, durante as suas viagens à Itália, no início do século XX, como representante oficial do Brasil.

Mas esses seus sentimentos eram compartilhados por muitos outros naquele período, isso porque, sem dúvida, a grande força atrativa do país sempre foi o seu charme, que trazia a marca da latinidade, o prazer como uma característica cultural, um clima que destoa do restante da Europa, e muitas outras características que a fizeram ser, por muito tempo, o país mais visitado por brasileiros no continente europeu.

No entanto, mais especificamente, podem ser elencadas outras vantagens de morar na Itália. Entre as quais, podemos destacar:

1. Culinária

Um dos símbolos da cultura italiana é a gastronomia. Para eles a busca pelo prazer sensorial está em suas raízes, e, dessa forma, a hora da refeição traz a característica de um verdadeiro ritual, em que a comida abundante e o apreço pelos temperos e ingredientes tornam esse momento quase sagrado. Um bom antipasti, seguido de porções generosas de massas, polentas e frutos do mar, devem ser acompanhados de um bom vinho tinto ou o famoso espresso para que o ritual esteja completo. 

2. Clima

Como vimos, o clima da Itália é o típico “mediterrâneo”, que se caracteriza pelos verões extremamente quentes, ensolarados e secos, e invernos agradáveis, com exceção de algumas cidades mais ao norte. As médias anuais ficam entre 11°C e 20°C, porém com variações resultantes da influência do relevo e da posição da cidade em relação ao mar. A semelhança do clima italiano com o brasileiro é considerada uma das grandes vantagens de morar na Itália, e muitas vezes é o fator decisivo para a escolha do país como destino.

3. Organização

Pelo simples fato de ser um país europeu, onde, de um modo geral, as questões sociais já estão bastante encaminhadas, a Itália pode, sim, ser considerada um exemplo de sociedade organizada e bem estruturada, principalmente com relação à saúde, educação e segurança.

Nesse último caso, por exemplo, quem sai do Brasil logo sente o impacto da diferença entre os dois países. Roubos, latrocínios, assaltos e demais “crimes urbanos”, que até parecem já incorporados à cultura brasileira, são artigos raros na Itália.

4. Respeito à diversidade

A liberdade religiosa, por exemplo, é assegurada na própria Constituição do país, que ressalta, entre outras coisas, os “princípios da não discriminação por razões religiosas”, “a igualdade de todas as confissões perante a lei” e “a liberdade de professar o próprio credo”.

Tal é a preocupação do país com essas questões que, apesar da polêmica, foi aprovado na Câmara Baixa do Parlamento Italiano um Projeto de Lei (o “Scalfarotto-Leone”) para o combate à homofobia e a transfobia. Apesar de dividir a sociedade, o projeto é considerado uma das principais armas contra o preconceito no país.

5. Cultura

Essa é uma característica italiana que dispensa apresentações. Muitos são capazes de jurar que metade das grandes obras de arte já produzidas no mundo encontram-se na Itália. Além de ser o berço do Renascimento, o país gaba-se de ter, até os dias atuais, o principal carnaval da Europa e a biblioteca mais antiga do mundo — a “Capitolare de Verona”—, cujos vestígios datam do século V, quando era, também, um local para a formação dos sacerdotes da Igreja Católica.

Atualmente, quem mora na Itália beneficia-se de um programa de incentivo à cultura, que permitiu a criação de diversos espaços públicos para apresentações de artistas locais, mostras de artes clássicas e contemporâneas, entre outros eventos.

Quais as desvantagens de morar na Itália?

1. O relacionamento

Essa é, sem dúvida, uma das queixas da maioria dos estrangeiros que vivem no país. Apesar da fama de alegres, divertidos e bonachões, quando se trata do relacionamento com estrangeiros, os italianos costumam ser bastante contidos e reservados.

Na verdade é quase uma característica social do país o costume de sempre “tratar estrangeiro como estrangeiro”, independentemente do tempo de convívio. Para muitos, trata-se tão somente de reserva e desconfiança, mas que não deixa de ser percebido nitidamente logo nos primeiros dias de convívio.

2. Transporte

Apesar de não comprometer tanto, o sistema de transporte público da Itália, na opinião da maioria dos que vivem no país, deixa a desejar com relação à frequência e disponibilidade. O problema é a baixa demanda, já que a maioria dos habitantes ou possui carro ou adota a prática do ciclismo.

Em cidades pequenas a situação tende a se agravar, também devido à baixa demanda. Além disso, gasolina cara, dificuldades para encontrar estacionamento, trânsito congestionado, entre outros fatores, completam o cenário.

3. Serviços

Nesse caso, a dificuldade não tem a ver com a oferta, mas com alguns hábitos bastante próprios do país, como, por exemplo, a quase inexistência de estabelecimentos que funcionem 24 horas (nem mesmo farmácias), lojas que só abrem meio turno nos fins de semana, outras que só abrem a partir das 9 ou 10h, e algumas que não funciona no meio da semana. Diferentemente do Brasil, o ritmo de trabalho é menos intenso, pois os italianos valorizam muito os períodos de descanso e as férias, que são considerados quase sagrados.

4. Burocracia

Outra queixa dos estrangeiros que moram na Itália tem a ver com a burocracia, algo considerado quase como parte da cultura do país. Excesso de documentos para uma solicitação simples, pedidos de certidões ou documentos que ninguém sabe que existem, filas, pouco interesse dos funcionários públicos (que costumam acomodar-se por trás dessa burocracia), enfim, tudo que se encontra no Brasil, mas com a barreira da língua para tornar a coisa ainda mais estressante. 

5. Corrupção

O fato de ser uma nação europeia não impediu a Itália de ser um dos países com a política mais corrupta do planeta. Para muitos, a corrupção na Itália consegue a proeza de ser maior que no Brasil, principalmente a partir dos anos 80, quando a eleição de alguns políticos de passado bastante duvidoso passou a ser uma prática comum.

 

Qual o custo de vida, em média, na Itália?

1. Moradia

De modo geral, não custa caro viver na Itália, pois, independentemente do tipo de função que alguém execute, a moradia e os serviços públicos são sempre acessíveis. Com 340 euros (cerca de R$ 1.000,00) é possível alugar um apartamento para um casal nas principais cidades italianas (exceto em áreas nobres).

E para aqueles que optarem por abrir mão de certas regalias, economizando o máximo possível nos supérfluos, é possível viver tranquilamente na Itália com uma renda de 1.400 euros, e ainda conseguir poupar algo, pensando no futuro.

2. Alimentação e outras despesas

Aqui a dica é evitar, sempre que possível, fazer as refeições fora de casa. O recomendado são as visitas aos supermercados, principalmente em dias de promoção, e que podem fazer com que os gastos com alimentação não ultrapassem os 180 euros mensais, por pessoa. Já as despesas com água, luz, gás e telefone ficam entre 180 e 220 euros, com produtos básicos, mas com direito a alguns supérfluos.

3. Saúde pública

Uma diferença marcante entre o sistema de saúde brasileiro e o italiano, é que na Itália os planos de saúde são considerados quase que um artigo de luxo, só procurados pelos mais abastados. Lá a regra é o atendimento público gratuito e com uma qualidade que nada deixa a desejar aos hospitais particulares por aqui.

A Constituição italiana garante o atendimento público para todos os cidadãos do país, inclusive para os estrangeiros que vivem legalmente. 

4. Transporte

Na Itália chama bastante a atenção o ótimo estado de conservação dos veículos públicos, e com não mais que 70 euros mensais é possível utilizar o ônibus ou o metrô, que custam 1,5 euros cada. Apesar da pouca disponibilidade e frequência, depois que o indivíduo se familiariza com os esquemas de horários e trajetos, é possível até mesmo deixar o carro na garagem, para utilizar os serviços públicos e as bikes como forma de contribuir com o meio ambiente. Quase nenhum estacionamento, poucos ônibus disponíveis e desrespeito no trânsito fazem do metrô e das bikes os mais indicados meios de transportes na Itália.

Qual o salário médio italiano?

Quem pretende morar na Itália precisa saber que lá a mão de obra é definida em termos de trabalho e não de emprego. O salário mínimo, por exemplo, não existe no país. As remunerações são específicas para cada profissão e negociadas entre patrões e sindicatos, como manda a polêmica flexibilização das regras trabalhistas dos países desenvolvidos.

Uma boa remuneração dependerá, basicamente, do nível de profissionalização e qualificação do candidato, podendo variar de 1.000 euros para os menos qualificados, até 2.500 euros para os que possuem uma boa qualificação. Mas outros fatores, como experiência, região do país, tipo de contrato de trabalho, turno, também podem ser determinantes para que se chegue ao valor da remuneração. Na Itália a principal diferença entre os que ganham mais e os que ganham menos é a qualificação. E entre as profissões mais bem pagas, estão:

  • Publicitário: Pode receber até 2.600 euros/mensais, principalmente quando já possui mais de 10 anos de experiência na área;
  • Profissionais de TI: A Tecnologia da Informação, como na maioria dos países atualmente, além de pagar bem está em alta em praticamente todo o mundo;
  • Padeiro: Paga cerca de 3.000 euros para profissionais com bastante experiência. A vantagem é que o profissional não precisa ter grandes especializações e nem conhecimentos técnicos avançados para ser bem remunerado;
  • Jornalista: Um jornalista experiente recebe na Itália, em média, 4.500 euros/mês. Por ser uma profissão do ramo de telecomunicações, é uma das que mais empregam no país;
  • Profissional da extração mineral: Esses são profissionais do segmento de extração de carvão, minério de ferro, petróleo, entre outros minerais. Os salários giram em torno de 3.250 euros/mês;
  • Farmacêutico: Quem pretende morar na Itália e possui esse tipo de graduação, irá receber entre 1.200 e 1.500 euros (iniciais), podendo chegar a até 6.000 euros, a depender do seu nível de especialização.

Talvez por ser a “terra da massa”, a profissão de padeiro na Itália é uma das mais valorizadas, mesmo sem exigir grandes especializações e conhecimentos teóricos.

Apesar do momento complicado do ponto de vista político e econômico, para muitos, ainda vale a pena morar na Itália. O que você acha disso? Deixe comentário e continue acompanhando as nossas publicações.