Qual o custo de vida?

Arte, cultura, história, qualidade de vida, além das oportunidades cada vez maiores de trabalho para cidadãos brasileiros fazem da Itália o principal destino turístico na Europa. Para se ter ideia, o ano de 2016 terminou com quase 800 mil visitantes brasileiros no país.

Estima-se que em 2017 tenha havido um aumento de pelo menos 20% desse fluxo. Esse número exorbitante de interessado em conhecer o país criasituações interessantes, como um aumento considerável no número de candidatos brasileiros a disputarem as mais de 75 mil vagas de emprego abertas para estrangeiros desde 2017 na Itália. Além de ser o destino turístico mais procurado, a Itália agora é o principal destino para trabalhadores brasileiros.

“O governo está trabalhando para que em 2018 haja um acréscimo entre 10 e 20% na venda de pacotes turísticos para brasileiros”, afirmou a representante da Agenzia Nacionale de Turismo (ENIT), Fernanda Morici. Para ela, os esforços têm dado certo.

Desde 2015, o ritmo de crescimento do número de visitantes brasileiros o país tem sido bastante acelerado; na verdade é o maior ritmo de crescimento entre os 10 países europeus que mais recebem turistas estrangeiros.

Apesar do difícil momento econômico que vive a Europa—que, entre outras coisas, se reflete num sensível aumento do desemprego—, o fato de ainda haver muitas funções para as quais falta mão de obra Italiana (funções recusadas pelas novas gerações), faz com que os brasileiros tenham bem mais oportunidades de trabalho no país.

“A relação afetiva entre brasileiros e italianos é, talvez, o principal motivo desse fluxo de turistas”, também ressaltou o senador Fausto Longo— um ítalo-brasileiro que hoje é um dos representantes do parlamento italiano, e se destaca pela luta em favor dos interesses dos descendentes que se espalham por toda a América do Sul.

Quais as melhores oportunidades de emprego para brasileiros na Itália?

Apesar das grandes oportunidades que têm hoje os brasileiros de trabalhar na Itália, é importante lembrar que, para tal, é necessário que o candidato esteja em situação regular no país. Ele terá que, por exemplo, ser um imigrante em situação legal.

Ou seja, caso pretenda passar mais de 90 dias na Itália, terá que solicitar um visto na embaixada brasileira. Esse visto será obtido mediante a apresentação de um passaporte válido, comprovante de residência, RG, promessa de trabalho, entre outros documentos.

É importante ressaltar também que, dificilmente, um brasileiro com situação irregular irá conseguir um trabalho de qualidade e com segurança na Itália. O mais comum é que ele seja explorado, não receba nenhum direito (inclusive os pagamentos) e ainda corra o risco de, no caso de ser descoberto, pagar uma multa que varia entre 5.000 e 10.000 euros.

No entanto, os que hoje podem se considerar em situação regular no país terão à disposição dezenas de milhares de oportunidades de empregos. Empregos nos mais variados segmentos, como:...

1.Profissional da beleza

Serviços de cabeleireiro e demais segmentos da estética nunca perderam o prestígio na Itália. Talvez por ostentar o título de “aís da moda”, eles valorizem tanto esta que é, para eles, uma das mais prestigiosas atividades.

Entram nessa categoria maquiadores, barbeiros, cabelereiros, manicures, entre outros profissionais do ramo que, juntos, tornam a Itália um dos 10 países que mais valorizam a profissão. Um estetista, por exemplo— como um profissional autônomo na Itália—, pode faturar entre 400 e 600 euros para produzir um cliente para um “grande dia”, enquanto os empregados podem receber até 1.800 euros por mês.

Talvez por ser o “aís da moda”, a Itália oferece grandes oportunidades de trabalho na área de estética.

2.Panificação

Se você tem disposição para “pôr a mão na massa” e além disso não se importa de trabalhar na madrugada, a profissão de panettiere é a indicada para você. A grande vantagem dessa profissão é o fato de que, mesmo sem grandes especializações, é possível receber um salário de até 3.000 euros por mês.

Um salário que, para os padrões brasileiros, é considerado altíssimo. Apesar de não exigir nenhuma grande especialização, os profissionais que mais se destacam nesse ramo são os capazes de seguir a tradição italiana, que preza, entre outras coisas, pelo sabor e originalidade dos produtos. A profissão de padeiro é a que paga o maior salário entre as atividades com menor qualificação.

3.Encanador

Os idraulicos, como são conhecidos os profissionais que trabalham com instalações hidráulicas no país, fazem parte de uma categoria que está entre as que oferecem as maiores oportunidades de trabalho para brasileiros na Itália.

O que se comenta é que, na verdade, os italianos clamam pela formação de mais profissionais nessa área, já que, por lá, é praticamente um milagre encontrar profissionais disponíveis para executar um serviço de urgência. Por incrível que pareça, a profissão está naquela lista de trabalhos rejeitados pelos italianos, apesar de oferecer um salário anual em torno de 36.348 euros. Tal é a demanda, que em muitas regiões da Itália é praticamente um milagre conseguir um encanador com urgência.

4.Cozinha

Um cuoco (é assim que são chamados os cozinheiro na Itália!) é considerado um profissional de destaque, devido ao prestígio internacional da gastronomia italiana, considerada uma verdadeira referência.

Diferentemente do que se imagina, a Itália não se resume a pizzas, lasanhas, polentas, risotos e bruschetas. Pelo contrário! A tradição de jantar fora, graças a uma infinidade de restaurantes, osterias, lanchonetes, que se espalham pelo país, faz com que a diversidade da culinária seja extremamente valorizada por lá.

Salários entre 1.000 e 1.500 euros mensais —para profissionais com pouca qualificação —tornam a profissão de cozinheiro uma das mais procuradas por brasileiros que pretendem trabalhar na Itália.

5.Costura

Pequenos consertos, vestuário sob medida, trabalho na indústria, ateliês e pequenas casas de costura são várias as possibilidades para quem tem interesse em ser uma sarta (costureira) na Itália. Também não são poucos os profissionais que optam por montar o seu próprio negócio e aproveitar todas as vantagens de ser um empreendedor em um país que, reconhecidamente, tem uma longa tradição de incentivar as pequenas e médias empresas.

O salário de uma costureira (que trabalha para uma empresa) na Itália varia entre 1.100 e 1.400 euros, para uma rotina de 8 horas por dia, com direito a todos os benefícios concedidos pela legislação italiana. Em especial as costureiras autônomas dificilmente ficam sem trabalho no país.

6.Mecânica

Não é nenhum segredo a paixão dos italianos por carros. Vide o reconhecimento internacional de monumentos comoFerrari, Lamborghini, Iveco, Fiat, Maserati, Alfa Romeo, entre outros. Logo, não fica difícil adivinhar a imensa demanda pelos serviços de mecânica no país,a qual, nas últimas décadas, vem sendo suprida por muitos profissionais estrangeiros.

Quem tem habilidade para trabalhar com outros veículos além de carros não tem muita dificuldade para se estabelecer no mercado, e podem, inclusive, garantir um salário entre 1.400 e 1800 euros por mês trabalhando para uma empresa.

Qualificação, disposição e documentação em dia: eis a “fórmula” para o brasileiro que deseja trabalhar na Itália! E para ajudar no processo, sites como cliccalavoro.it, monster.it, it.indeed.como, entre outros, costumam estar entre os mais indicados quando o assunto é emprego na Itália. A paixão por carros e uma invejável tradição na indústria automobilística são responsáveis pela grande demanda de serviços mecânicos.

Quais são os documentos necessários para trabalhar na Itália?

Para que um profissional brasileiro possa trabalhar na Itália por mais de 90 dias é preciso que ele solicite um visto no consulado brasileiro mais próximo da sua residência. Esse visto possui três modalidades: lavoro autonomo, lavoro subordinato e lavoro stagionale.

Com esse visto em mãos, caso ainda esteja no Brasil, poderá enviar o seu currículo à empresa desejada, que entrará em contato caso tenha preenchido os requisitos. A recomendação de que se peça o visto antes mesmo de receber alguma resposta vem do fato de que, caso a receba, já terá toda a documentação necessária em mãos.

E não são poucos os candidatos que, ao receberem uma proposta, descobrem, surpresos, que terão que passar por uma enorme burocracia para tornarem-se aptos a trabalhar no país. A documentação exigida dos brasileiros, ou de qualquer estrangeiro que pretenda candidatar-se a uma vaga, é dividida em duas categorias: sazonal e auto-emprego.

1.Emprego sazonal

Esse é o tipo de emprego ou trabalho por tempo determinado. Toda a documentação reunida tem validade entre 20 e 180 dias. Mas é possível estender esse prazo, caso o profissional encontre outros trabalhos, quer sejam fixos ou temporários. Documentação exigida:

  • Passaporte válido;
  • Formulário de requerimento;
  • Cópia do Contrato de Trabalho;
  • Certidão que garante o cumprimento da lei caso haja necessidade de repatriamento.

2.Auto-emprego

Indivíduos que pretendem oferecer os seus serviços a empresas, indústrias e demais corporações italianas, deverão solicitar uma autorização em um consulado mais próximo da cidade onde mora. Dentro de no máximo 4 meses recebem a confirmação ou não do pedido de autorização para trabalhar na Itália.

Caso a consigam, a legislação brasileira determina o embarque para a Itália em um prazo de até 6 meses, sob pena de expiração da validade do documento. O requerimento de autorização para auto-emprego na Itália exige a apresentação dos seguintes documentos:

  • Passaporte válido;
  • Formulário de requerimento;
  • Comprovação de recursos para permanecer no país;
  • Certidão expedida pelo Ministério do Trabalho, que comprove que não há impedimento para que execute a função;
  • Comprovante da futura renda anual, e que deverá ser maior que o mínimo estabelecido pelo governo.

DICAS

Os mais experientes afirmam: são os detalhes que fazem toda a diferença para os que pretendem trabalhar na Itália. Ter um conhecimento mínimo da língua italiana, redigir um “currículo europeu”, acessar os principais sites de emprego do país, dar preferência àquelas funções desprezadas pelos italianos (pois são mais fáceis de conseguir), obter a indicação de um amigo (ou do amigo do amigo), e, principalmente, conhecer a cultura do país podem ser decisivos durante a disputa de uma vaga.

Essas são iniciativas que, certamente, farão a diferença e deixarão o pretendente mais perto ou mais longe do sonho de trabalhar na Itália.

Qual o salário médio na Itália?

Lá não existe um salário mínimo estipulado pelo governo. Os ganhos variam de acordo com a qualificação do profissional e o seu ramo de atuação. No entanto, dificilmente um trabalhador sob um contrato de trabalho receberá menos do que 1.000 euros mensais.

Um valor considerado alto, quando se leva em consideração os salários no Brasil. Mas não é incomum que profissionais como padeiros, eletricistas, cozinheiros, entre outros, que possuem uma baixa qualificação, ganhem mais que profissionais da área administrativa ou financeira, por exemplo. Mesmo que, na maioria das vezes, estes sejam bem mais qualificados.

O que há na Itália é uma espécie de padrão salarial, que acabou sendo construído de forma quase que espontânea, numa espécie de rearranjo econômico, muito por conta da boa qualificação dos cidadãos do país. Esse padrão determina que:

  • Trabalhadores com baixa qualificação recebam entre 1.000 e 1.400 euros;
  • Trabalhadores com qualificação mediana, entre 1.400 e 1.900 euros;
  • Trabalhadores com alta qualificação, entre 1.900 e 3.000 euros.

Lembrando que uma conversão desses valores para o real pode levar a equívocos, como o de achar que terá vida fácil sem que tenha uma boa qualificação. É um engano! O custo de vida para os trabalhadores brasileiros na Itália costuma ser proporcional.

O que diferencia do Brasil é o retorno que o cidadão tem dos seus impostos, que os poupa de despesas maiores com serviços privados.

Qual o custo de vida para morar na Itália?

É praticamente um consenso a opinião de que o custo de vida na Itália depende, basicamente, do tamanho da família e do padrão estipulado por cada indivíduo. De modo geral, um salário de 1.000 euros é suficiente para que se paguem contas básicas, como: aluguel (de um apartamento simples, com quarto e sala), água, luz, Internet, telefone, gás, supermercado, condução, e até mesmo alguns supérfluos, como uma TV a cabo, por exemplo.

Na Itália não importa muito se você é estudante, turista ou habitante, o que vai definir mesmo o custo de vida são os seus hábitos de consumo e a região onde pretenda morar. Resumindo, o custo de vida para uma pessoa na Itália, envolve:

  • Aluguel: entre 300 e 900 euros;
  • Água, Luz e telefone: 40 a 120 euros;
  • TV por assinatura e Internet: entre 20 e 30 euros;
  • Anuidade da TV pública: 120 euros;
  • Condomínio: entre 15 e 25 euros;
  • Alimentação: entre 100 e 250 euros;
  • Transporte: 30 a 40 euros (mensais).

Obs: Esses valores são básicos. A eles deverão ser acrescentadas as despesas extras, inclusive as que envolvem lazer e diversão.

São cerca de 75 mil oportunidades de emprego na Itália, desde 2017, esperando por candidatos. Mas será que vale a pena o sacrifício? Deixe a sua reposta, em forma de um comentário, logo abaixo. E aguarde as nossas próximas publicações.